Spider volta com mais do mesmo
Minha primeira crítica de um disco local. Não gostei muito do que escrevi. Nem Spider, pelo que soube depois.O Abril pro Rock sempre teve histórico como pontapé para as bandas que querem se lançar de forma independente. Era de estranhar que logo o Spider & Incógnita Rap, uma das atrações locais que mais chamou atenção na edição de 1999 do festival, tenha sumido da cena desde então.
A sumida, na verdade, foi estratégica: enquanto todos estavam com pressa para lançar algum material, o grupo resolveu esperar um financiamento que ajudasse o primeiro disco sair com a merecida qualidade. Mesmo que isso significasse esperar seis anos.
O novo CD, homônimo, vai ser lançado hoje com um pequeno show na loja Passa Discos. Nunca a expressão “deu uma parada para gravar” fez tanto sentido numa disco local como agora.
Depois de ouvir as 11 faixas, a impressão que fica é que o Spider literalmente parou no tempo, com uma mensagem para quem não acredita na força do som de Pernambuco, na “química de Science”, coisa que não existe mais. Muitas das músicas são as mesmas da apresentação de 99.
O problema com esse tema ultrapassado é a maneira quase subalterna usada para entrar na música, com frases como “não nos critique, nos escute e nos ajude”, que rendeu muita crítica a Chico Science até hoje. O discurso velho é salvo pelo reforço no trabalho dos arranjos - o que não chega a compensar tanto, quando o assunto é Rap. Eles ajudam a chamar atenção nas músicas “Olho e Vejo” e também em “Incógnita Rap”, onde Spider faz um protesto mais aberto e, por isso, mais atemporal.
Apesar de não estarmos mais na época onde a simples existência de uma gravação local com qualidade ser algo louvável, o resultado final do trabalho da banda é bem positivo.
Eles conseguiram preservar um momento que está cada vez mais perdido, o da música de Pernambuco que tem cara definitivamente de Pernambuco.
Publicado originalmente no dia 09 de março de 2005